
As condições climáticas são uma das principais razões para o sucesso da produção agrícola nacional, entretanto o excesso de calor registrado nos últimos meses provoca fortes impactos sobre as plantas, e somente aumentar o fornecimento de água alivia, mas não resolve o problema.
Por isso, os pesquisadores Magna Moura, Saulo Aidar e Agnaldo Rodrigues, da Embrapa Semiárido (PE), esclarecem que os impactos dependem de vários fatores, entre eles a fase fenológica em que a planta se encontra. Em fruteiras, por exemplo, pode causar o abortamento dos botões florais – que dariam origem aos frutos –, ou queimar aqueles que já se encontram em fase de amadurecimento – processo conhecido como escaldadura. Também pode reduzir as trocas gasosas e afetar a produtividade das culturas.
Experimentos mostraram que telas de sombreamento protegendo as culturas têm ajudado a mitigar os efeitos do calor. Estudo realizado com o cultivo de macieiras comprovou que o uso dessa estrutura para sombreamento no pomar resultou em maior desempenho fotossintético comparado ao ambiente a pleno sol. O experimento também englobou o cultivo de melão, o resultado foi uma maior abertura dos estômatos ao longo do dia, o que permitiu maior transpiração e, consequentemente, menor aquecimento das folhas. Chaves conta que o uso da cobertura têxtil promoveu um microclima mais favorável para o desempenho fisiológico das plantas, mitigando o fator potencial de estresse térmico na cultura. “Mesmo sob menor radiação solar fotossinteticamente ativa, a fotossíntese foi favorecida e contribuiu para uma produtividade 35,15% maior do que na condição de cultivo a pleno sol”, destaca.
O pesquisador Saulo Aidar também aponta que, “sob condições ótimas de umidade do solo, os efeitos fisiológicos negativos provocados pelo calor podem ser reduzidos, por isso se torna importante ajustar a irrigação, considerando, ainda, que nesses períodos a taxa de evaporação de água do solo também é maior”. No entanto, só a água não é capaz de eliminar os impactos das altas temperaturas, pois o desempenho das plantas é afetado, também, pela interação com outros fatores, como a radiação solar e a umidade do ar. Segundo Aidar, em períodos muito quentes, mesmo havendo água no solo, a planta pode continuar apresentando aspecto de falta de água – situação conhecida como seca fisiológica.
O pesquisador lembra que a seca fisiológica também pode ocorrer por outras causas, como excesso de adubo no solo, excesso de salinização do ambiente, ou mesmo o excesso de água, provocando o encharcamento do solo. Pragas e doenças nas raízes também podem limitar o desenvolvimento das plantas, o que pode parecer dificuldade de absorção de água pela planta. “Por isso, é importante identificar corretamente quais as causas para que se possa buscar um manejo adequado”, reforça.
Fonte: Embrapa