30/01/2026 | Mercado, Notícias

Com superávit, safra de cana-de-açúcar 2026/27 deve focar no etanol, aponta StoneX

Redação Agrimotor

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Foto: Pixabay.

O relatório de Saldo Global de Açúcar da StoneX, empresa global de serviços financeiros, aponta que o mercado global de açúcar segue superavitário na safra 2025/26, com excedente estimado em 2,9 milhões de toneladas. Segundo Marcelo Di Bonifacio Filho, analista de Mercado, o volume, embora confortável, representa redução de quase 800 mil toneladas em relação à projeção de novembro. Esse ajuste foi provocado, sobretudo, pelo corte superior a 1 milhão de toneladas na produção do Brasil, considerando as regiões Centro-Sul e Norte-Nordeste. Ainda assim, para Marcelo, o recuo não altera o cenário de oferta tranquila no mercado internacional.

Os estoques globais devem crescer 4%, chegando a 76,7 milhões de toneladas (valor bruto), elevando a relação estoque/uso a 39,6%, acima da média quinquenal de 39% e coerente com o comportamento das bolsas. Já no Brasil, o Centro-Sul superou 600 milhões de toneladas de cana processadas no ciclo 2025/26, mantendo produção de açúcar superior à da temporada anterior. No Norte-Nordeste, o movimento firme em direção ao etanol intensificou a redução do mix açucareiro.

Com sinais altistas e baixistas se equilibrando, Marcelo explica que o superávit global permanece próximo a 3 milhões de toneladas, nível suficiente para sustentar as cotações atuais, mas sem fundamentos para altas expressivas. Outro ponto ressaltado por ele é a relação estoque/uso para 2025/26, estimada em 39,6%, percentual acima da média dos últimos cinco anos e que contribui para manter o sentimento de cautela nos mercados futuros.

O relatório também destaca que segunda revisão para a safra 2026/27 do Centro-Sul indica mudança no direcionamento industrial, com usinas priorizando o etanol diante da queda nos preços do açúcar em 2025 e valorização do biocombustível. O analista de mercado Rafael Borges destaca que, para 2026/27, a projeção é de maior disponibilidade de cana no Centro-Sul, permitindo expansão moderada da produção mesmo com maior direcionamento ao biocombustível.

“Ainda que a estimativa seja de que os preços do açúcar devam voltar a remunerar melhor o produtor em SP principalmente a partir de maio/junho de 2026, com a queda dos preços do biocombustível no pico de safra, o contexto atual já deverá ser responsável por uma redução considerável no mix açucareiro”, afirma Borges. A estimativa para 2026/27 é que o mix açucareiro recue para 49,6%, redução que deve cortar cerca de 800 mil toneladas da produção estimada anteriormente.

Fonte: Valéria Campos <valeria@attualecomunicacao.com.br>Assessoria de imprensa

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