
Apresentado em estudo publicado na revista Scientific Reports, pesquisadores brasileiros desenvolveram o Índice de Saúde do Solo (ISS), um indicador que mede a qualidade do solo em manguezais e permite classificar áreas como degradadas, restauradas ou preservadas. A métrica varia de 0 a 1, em que valores mais altos indicam melhor condição ambiental. O método busca facilitar decisões de conservação e recuperação desses ecossistemas.
Testado no estuário do rio Cocó, no Ceará, o ISS reúne diferentes variáveis físicas, químicas e biológicas que representam o funcionamento do solo. Entre elas estão características ligadas ao ciclo do carbono, como textura do solo e teor de carbono orgânico, além de propriedades associadas à retenção de contaminantes, especialmente formas minerais de ferro. Também entram no cálculo indicadores da ciclagem de nutrientes, avaliados por meio da atividade enzimática de microrganismos presentes no solo. A combinação desses fatores gera uma visão integrada da capacidade do solo de sustentar serviços ecossistêmicos.
O estudo apontou que algumas funções ecológicas dos manguezais — como sequestro de carbono e ciclagem de nutrientes — podem se recuperar relativamente rápido após processos de restauração. No entanto, serviços físicos importantes, como a contenção da erosão costeira, podem levar mais tempo para serem plenamente restabelecidos.
Manguezais são considerados ecossistemas estratégicos para o clima, conhecidos como “florestas de carbono azul”, pois armazenam grandes quantidades de CO₂ no solo por décadas e podem superar florestas tropicais em eficiência de sequestro por área. Apesar disso, a expansão urbana, a poluição e mudanças no uso da terra já provocaram a perda de 30% a 50% dos manguezais do mundo nos últimos 50 anos.
Fonte: Canal Rural





