
Depois de entregar um recorde de 49 milhões de toneladas em 2025, o mercado brasileiro de fertilizantes enfrenta 2026 com perspectiva de retração entre 10% e 15%. A pressão vem de duas frentes: os conflitos geopolíticos que travam o fornecimento global e mudanças tributárias internas que elevam custos de operação. O alerta é do Sindicato da Indústria de Adubos e Corretivos Agrícolas do Paraná (Sindiadubos-PR),
Para o presidente do Sindiadubos-PR, Aluísio Schwartz, as importações já caem no primeiro quadrimestre. Produtores adiam compras na expectativa de melhora nos preços, enquanto o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã ameaça cortar 5 milhões de toneladas mensais de fosfatados — a região responde por 40% do enxofre mundial. Some-se a isso a proibição chinesa de exportar fosfatados, produto que o Brasil importou 2 milhões de toneladas em 2025, e a Rússia vetando nitrato de amônia.
No front interno, a tributação de PIS/Cofins sobre fertilizantes prevista para abril e a MP do frete mínimo pressionam ainda mais a cadeia. Entidades do setor negociam com o governo federal para adiar a cobrança e revisar critérios. A consequência da tempestade perfeita é direta: safras recordes esgotaram reservas no solo, e a redução no uso de adubos deve forçar corte de área plantada. O resultado final será menor produção e alta nos preços de soja, milho, carnes, café e açúcar.
Além do Sindiadubos-PR, outras entidades do setor, como a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), a Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (AMA) e a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) estão mobilizadas em tratativas com o governo federal para mitigar esses riscos ao agronegócio brasileiro.





