
Para a Rede ÓSocioBio e Conexsus, o acesso ao crédito rural no Brasil ainda enfrenta distorções que limitam a inclusão de agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Dados da Rede apontam que ao menos 40% dos agricultores familiares atendidos pela Rede de Ativadores de Crédito Socioambiental não conseguem acessar a documentação exigida para obter crédito.
Segundo a CONEXSUS, Instituto Conexões Sustentáveis, e o ÓSOCIOBIO, Observatório das Economias da Sociobiodiversidade, apesar de ser a principal política pública de financiamento do setor, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) segue concentrado em poucas atividades e regiões, deixando de alcançar cadeias produtivas ligadas à sociobioeconomia, como extrativismo, sistemas agroflorestais e pesca artesanal. Na prática, o crédito rural não chega de forma efetiva a uma parcela significativa dos produtores que atuam em sistemas produtivos sustentáveis, sobretudo em territórios mais isolados ou com menor presença de serviços financeiros.
Diante desse cenário, especialistas e organizações que atuam no tema apontam que o Plano Safra 2026/2027 será decisivo para reorientar o crédito rural e ampliar o acesso às cadeias produtivas sustentáveis. Entre as principais expectativas para este ano estão a ampliação do número de operações de crédito voltadas à sociobioeconomia, com crescimento em todas as regiões do país, além da adoção de critérios que garantam maior participação dessas atividades na destinação dos recursos.
Uma das iniciativas recentes para facilitar o acesso ao crédito rural é um aplicativo desenvolvido pela Conexsus para conectar cooperativas e negócios comunitários às linhas de financiamento do Pronaf para seus associados. A ferramenta funciona como uma plataforma digital de apoio para cadastro e elaboração de projetos de crédito, organizar documentos e facilitar a interlocução entre comunidades, negócios comunitários e instituições financeiras.





