
Estudo da FAO e da Organização Mundial de Meteorologia sobre os riscos crescentes para a agricultura global aponta o Brasil como exemplo de como eventos climáticos extremos podem afetar simultaneamente lavouras, pecuária e produção de alimentos, com prejuízos bilionários ao setor.
Segundo o estudo, nas principais regiões produtoras do país, as temperaturas ultrapassaram 30°C em mais de 60% dos dias durante o ciclo crítico da soja e do milho primeira safra, na onda de calor que atingiu o Brasil entre 2023 e 2024. A Conab estimava 162 milhões de toneladas de soja, mas o calor extremo derrubou a projeção para 147,7 milhões — queda de quase 10%. Em São Paulo, a quebra chegou a 20% na soja e superou 10% no milho. O estudo destacou que lavouras em sistema de plantio direto, especialmente sobre palhada de cana, resistiram melhor ao estresse térmico.
Na pecuária, o impacto foi severo. Suínos enfrentaram estresse térmico intenso por mais de 20 dias mensais no Centro-Oeste, enquanto bovinos leiteiros registraram queda irreversível na produção. O relatório alerta que danos fisiológicos persistem ao longo da vida dos animais, comprometendo até mesmo as próximas gerações e gerando perdas econômicas permanentes aos produtores.
O Centro-Oeste teve 150 dias adicionais com risco extremo de incêndio, devastando área equivalente à Itália. A FAO projeta que eventos como o de 2023, com 40,6°C no Rio, serão cada vez mais frequentes até o fim do século.





