
O relatório “China’s Food Future”, publicado pela Systemiq em parceria com a Gordon and Betty Moore Foundation, aponta que a China está avançando em uma nova fase de sua estratégia de segurança alimentar, com potencial para alterar a dinâmica das cadeias globais de commodities agrícolas e gerar impactos relevantes para o Brasil. Segundo o relatório, a estratégia chinesa combina aumento da produção doméstica, ganhos de produtividade, ajustes na formulação de ração animal e investimentos em novas tecnologias, como biotecnologia e proteínas alternativas.
O relatório aponta que em um horizonte mais longo, a transformação do sistema alimentar chinês pode se intensificar. Até 2040, proteínas alternativas podem alcançar entre 14% e 16% de participação em segmentos como carne bovina e frutos do mar. Já até 2050, essas fontes podem representar entre 35% e 55% do consumo total de proteínas no país. Nesse cenário, a China pode inclusive se tornar exportadora líquida de algumas categorias de proteína animal, alterando o equilíbrio global do setor.
As projeções indicam que, até 2030, essas mudanças podem levar a uma redução de cerca de 23,5 milhões de toneladas nas importações de soja, o equivalente a aproximadamente 25% em relação aos níveis atuais. Hoje, cerca de 84% da soja consumida na China é importada, com o Brasil respondendo por mais de 60% da soja importada pela China, além de cerca de 40% da carne bovina consumida no mercado chinês. Com isso, o Brasil é um dos países mais expostos a esse movimento, destaca o relatório
Para Patricia Ellen, sócia-presidente da Systemiq LATAM, a relevância dessa dependência exige atenção às mudanças em curso. “A China está ampliando o foco em segurança alimentar e buscando reduzir vulnerabilidades nas cadeias de abastecimento. Esse movimento pode trazer impactos importantes para países exportadores como o Brasil”, afirma.





