
As projeções divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apontam para um cenário de oferta abundante que coloca o mercado da soja sob forte pressão. Os números indicam safras recordes no Brasil e produção robusta nos Estados Unidos, empurrando as cotações na Bolsa de Chicago para perto de US$ 11 por bushel, menor patamar em quatro meses. Para o produtor brasileiro, o momento exige cautela nas decisões de comercialização.
O departamento norte-americano manteve a projeção da safra dos EUA em 120,7 milhões de toneladas e elevou a estimativa global para 441,34 milhões de toneladas. No Brasil, a previsão segue em 180 milhões de toneladas para 2025/26, com potencial de alcançar 186 milhões no ciclo seguinte. A Conab projeta 180,25 milhões de toneladas na safra atual, alta de 5,1% sobre o ciclo anterior, com exportações de 116,1 milhões e processamento interno de 61,58 milhões de toneladas.
No mercado doméstico, a queda em Chicago combinou com a postura retraída dos produtores e desacelerou os negócios. Nem mesmo a firmeza pontual do dólar conseguiu compensar a pressão externa sobre os preços.
A grande incógnita agora é a demanda chinesa. Com estoques elevados e produção recorde, o segundo semestre começa pressionado. Qualquer oscilação climática, mudança no apetite da China ou no ritmo das exportações pode alterar rapidamente o cenário de preços.





