
Produtores e analistas apontam que a inadimplência no campo brasileiro atingiu níveis críticos e está forçando credores a leiloarem propriedades rurais em ritmo acelerado. Em 2025, foram leiloadas 14.219 fazendas, alta de 30% sobre o ano anterior. Os procedimentos extrajudiciais quase dobraram, chegando a 2.398 propriedades. As regiões produtoras de soja e grãos concentram os casos mais graves.
Os números do Banco Central revelam a dimensão da crise: as dívidas problemáticas no crédito rural mais que quadruplicaram em dois anos, alcançando R$ 171,2 bilhões no início de 2026. A inadimplência saltou de 5,5% para 19,6% dos empréstimos agrícolas em apenas 24 meses. Os pedidos de recuperação judicial no setor subiram 56% em 2025, depois de mais que dobrarem em 2024.
A tempestade perfeita que atinge o produtor combina juros estratosféricos, preços baixos dos grãos, custos elevados de insumos e eventos climáticos extremos. A taxa Selic passou de 2% para 15% em cinco anos, enquanto a soja perdeu valor no mercado internacional. O Rio Grande do Sul, castigado pelas enchentes de 2024, exemplifica o drama: um produtor gaúcho perdeu mais da metade da fazenda familiar para credores após prejuízos climáticos.
“Este momento de endividamento no campo é extremamente delicado”, alertou Guilherme Campos, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura. O cenário pode piorar com a ameaça de um super El Niño e fertilizantes caros devido à guerra no Irã.





