
Com a perspectiva de aumento da safra de cana, recorde de oferta, puxada principalmente pela produção a partir do milho, e maior competitividade em relação à gasolina, o mercado brasileiro de combustíveis vive um momento favorável para o etanol. Enquanto a gasolina subiu 5,4% para o consumidor brasileiro, o etanol registrou quedas expressivas: recuou 24% nas usinas (preço ao produtor) e 11% nas bombas (preço ao consumidor).
A chamada paridade — indicador utilizado para avaliar a vantagem econômica do biocombustível diante da gasolina — opera perto de 60% nos principais mercados. “Com os preços praticados atualmente, o etanol se torna ainda mais competitivo, favorecendo o aumento da demanda”, destaca Martinho Seiiti Ono, CEO da SCA Brasil. A expectativa, porém, é de aumento significativo da oferta de etanol nesta safra, tanto de cana-de-açúcar quanto de milho, o que deve pressionar ainda mais os preços e ampliar a competitividade do biocombustível.
O crescimento do etanol fortalece a segurança energética brasileira e reduz a dependência de combustíveis fósseis. Segundo Ono, considerando a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina e o consumo de etanol hidratado, cada 100 litros de combustível consumido, mais de 50 litros são de etanol, ou seja, a dependência é inferior a 50% de combustíveis fósseis no abastecimento da frota com ciclo otto.
Além disso, a possível aprovação da mistura E32 — que amplia para 32% a participação do etanol anidro na gasolina — poderá acelerar ainda mais esse movimento. Na avaliação de Ono, medida poderá gerar uma demanda adicional entre 600 milhões e 1 bilhão de litros de etanol por ano.





