
A agência americana de clima NOAA estima em 63% a probabilidade do El Niño 2026/27 atingir intensidade muito forte entre novembro e janeiro, podendo se tornar um dos episódios mais severos já registrados. O fenômeno é o aquecimento anormal do Pacífico, que altera o regime de chuvas, trazendo seca para Centro-Oeste, Norte e Nordeste, excesso de água no Sul e calor acima da média na maior parte do território.
Projeções do Santander indicam que um evento forte pode adicionar até 2,4 pontos percentuais à inflação de alimentos e reduzir 0,6 ponto do PIB. O Morgan Stanley trabalha com cenário ainda mais crítico, estimando acréscimo de 1,68 ponto no IPCA geral. O período mais delicado coincide com o plantio da soja e o planejamento da safrinha de milho, entre novembro e fevereiro. Regiões como MATOPIBA e parte do Centro-Oeste enfrentam maior risco de chuvas irregulares e estresse hídrico.
A pressão inflacionária pode forçar o Banco Central a interromper o ciclo de queda dos juros, atualmente em 14% ao ano. Especialistas alertam que a combinação de safra menor, menos entrada de dólares da exportação de soja e juros em queda pode pressionar ainda mais o câmbio no fim do ano. Para o produtor, o cenário exige planejamento financeiro reforçado e atenção ao manejo das lavouras nos próximos meses.





