
Para a economista Maria Clara Kirsch, do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara, as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros não devem afetar igualmente os municípios da região central paulista. Segundo a economista, o efeito não será uniforme porque depende da composição das exportações de cada município.
Enquanto cidades cuja pauta exportadora é concentrada em produtos isentos tendem a sofrer impactos limitados, outras, mais dependentes da indústria de transformação, podem enfrentar perdas de competitividade no mercado norte-americano.
Entre os municípios analisados, São Carlos é o que apresenta maior exposição às novas tarifas. Sua pauta exportadora é composta principalmente por bens manufaturados, como lápis, ferramentas, motores, turbinas, compressores e outros equipamentos industriais, que não aparecem entre as principais exceções. Já Gavião Peixoto apresenta a menor vulnerabilidade, devido ao peso das exportações ligadas ao setor aeronáutico, um dos segmentos beneficiados pelas exceções tarifárias, aponta a análise.
Apesar do cenário de maior incerteza para alguns segmentos, a economista ressalta que ainda é cedo para projetar efeitos mais amplos sobre emprego e atividade econômica. “Neste momento, o mais provável é que as consequências ocorram de forma concentrada em empresas e setores com maior dependência do mercado norte-americano. Antes de reduzir postos de trabalho, as empresas costumam buscar alternativas como renegociação de contratos, absorção de parte dos custos e abertura de novos mercados”, afirma Maria Clara.





