
Para a consultoria StoneX, a possibilidade de um El Niño de intensidade elevada entre o segundo semestre de 2026 e início de 2027 já está refletida nos preços das principais commodities agrícolas. O Climate Prediction Center dos EUA projeta 81% de chance de evento forte entre outubro e dezembro de 2026, subindo para 97% de persistência até o começo do próximo ano. Essa perspectiva influenciou a formação de preços.
No setor do cacau, os contratos futuros em Nova Iorque acumulam valorização acima de 40% desde fevereiro, apesar das condições de oferta mais confortáveis no curto prazo, especialmente na África Ocidental. A alta está associada ao prêmio de risco climático para a safra 2026/27, diante de chuvas intensas na Costa do Marfim e Gana, que causaram enchentes e aumentaram casos de doenças nas plantações. A StoneX revisou o superávit global projetado para a próxima safra de 149 mil para apenas 25 mil toneladas, indicando cenário mais apertado.
O café também é afetado pela antecipação do risco climático: os contratos futuros de tipo arábica cresceram cerca de 35% desde junho, impulsionados pelo prêmio de risco para a safra 2027/28. Chuvas acima da média no cinturão cafeeiro brasileiro interromperam a dormência das plantas, adiantando floradas, o que pode expor mais os frutos a períodos secos e quentes previstos para setembro a novembro, críticas para a produtividade.
Em trigo e soja, o excesso de chuvas no Rio Grande do Sul preocupa pela erosão de solo e possível aumento de doenças, com impacto ainda não quantificado na safra. Os preços do açúcar também sobem, influenciados por condições secas na Tailândia e Índia, com o mercado americano ultrapassando a marca de 15 centavos de dólar por libra desde junho.





