
Segundo o analista Fernando Iglesias, o mercado físico do boi gordo no Brasil manteve os preços estáveis na última semana. Frigoríficos de maior porte reduzem o ritmo de abate, enquanto indústrias menores trabalham com escalas mais curtas. No comércio exterior, a menor participação da China durante o terceiro trimestre enfraqueceu as exportações, ao passo que no mercado interno a demanda segue baixa, padrão típico para a segunda quinzena de agosto.
Para setembro, porém, várias tendências indicam alta na arroba do boi gordo. Felipe Fabbri, coordenador da Scot Consultoria, destaca que frigoríficos concentrarão compras de bovinos jovens na segunda metade do mês para garantir o estoque voltado à cota de exportação para a China em 2027. A estação de monta reduz a oferta de fêmeas para abate entre setembro e dezembro, favorecendo a valorização da arroba ao mesmo tempo em que a demanda por exportação tende a se recuperar.
Outro ponto de impacto é a decisão dos EUA de liberar até 300 mil toneladas de carne bovina com tarifa zero pelos próximos 90 dias, medida que deve favorecer os negócios brasileiros. Internamente, o início das campanhas eleitorais e o ingresso do fundo partidário fortalecem o consumo de carne no país. O boi gordo a prazo registra preços estáveis nas principais praças: R$ 355 em São Paulo e R$ 335 em Goiás e Minas Gerais, por exemplo.
No atacado, os preços se mantêm estáveis a levemente menores, com o quarto dianteiro do boi cotado a R$ 21 o quilo, 2,33% abaixo da semana anterior. O ambiente ainda indica possibilidade de queda no curto prazo, pois a carne bovina perde competitividade frente ao frango. Nas exportações, apesar da retração de 26,1% em volume e 19,1% no valor diário em relação a agosto de 2025, o preço médio da tonelada subiu 9,6%, apontando um cenário de ajuste e oportunidades para o produtor ao longo dos próximos meses.





