
À medida que as pessoas cozinham de forma diferente, bebem menos e os produtores são pressionados, a França, conhecida mundialmente pela excelência em pão, queijo e vinho, enfrenta uma crise que ameaça sua liderança agrícola na Europa. Exportações de vinho estão em queda livre, produtos italianos ganham espaço no mercado francês, e o superávit agroalimentar registrou seu menor nível em quase 50 anos. O produtor de trigo Eric Thirouin, na região fértil de Beauce, acumula perdas pelo quarto ano consecutivo, enquanto vinicultores locais cortam produção por conta dos impactos climáticos e econômicos.
O governo de Emmanuel Macron respondeu com uma “guerra agrícola”, acelerando a aprovação de uma lei de emergência para priorizar produtos franceses em escolas, flexibilizar regras de expansão pecuária, uso de pesticidas e irrigação. Além disso, anunciou pacote de € 1 bilhão para compensar agricultores afetados por ondas de calor e incêndios florestais severos. A crise reflete múltiplos fatores: mudanças climáticas, guerras comerciais, aumento dos custos de insumos e mudanças nos hábitos de consumo dos franceses.
A tradição agrícola francesa, marcada por pequenas propriedades familiares, luta para competir com concorrentes de baixo custo e operações em escala industrial, como Rússia e EUA. A redução do número de agricultores e a baixa atração de jovens ao campo ampliam o desafio. Para se adaptar, produtores buscam inovar, com vinhos de baixo teor alcoólico e maior versatilidade na gastronomia, mas alertam para a necessidade urgente de reposicionamento para manter a soberania alimentar do país.





