
Previsão de um Super El Niño, com mais de 90% de chance de ocorrer com força extrema no último trimestre de 2026, deve impactar PIB, inflação e logística do agronegócio brasileiro. Esse cenário acende alerta para alta nos custos dos alimentos frescos, como frutas e verduras, com aumento previsto de até 25% no próximo ano, pressionando o IPCA. Os riscos de alta na inflação estão no radar de diversas entidades econômicas, incluindo o Comitê de Política Monetária (Copom), o que pode afetar o ciclo de calibração de juros no país. Para 2027, a produção de milho e proteínas animais pode sofrer cortes, especialmente pela redução da janela para a safrinha, estimada em 17% de queda na safra de milho e recuo de 1,3% no PIB agropecuário.
A região Sul encara excesso de chuvas, vendavais e até tornados, afetando culturas de inverno e soja, elevando prejuízos a cerca de R$ 860 milhões. A deterioração da qualidade do trigo e cevada não é coberta pelo seguro rural, agravando o endividamento dos produtores. Também há impacto no plantio do arroz irrigado pelo menor índice de luz solar.
No Sudeste, o volume histórico de chuvas recupera os reservatórios, beneficiando hidrelétricas e evitando alta na conta de luz a curto prazo. Porém, infraestruturas podem sofrer com tempestades severas.
Enquanto isso, o Norte sofre seca prolongada e aumento no custo logístico. A hidrovia do Tapajós, crucial para escoar 17 milhões de toneladas de soja e milho, pode ter parada total nos próximos meses, elevando o frete rodoviário em até 50%. Isso pressiona estradas em condições precárias e ameaça a competitividade do setor, além de aumentar a emissão de carbono. A irregularidade das chuvas no Matopiba também eleva os riscos para a próxima safra. No cenário externo, o choque climático pode reduzir a balança comercial em até US$ 3 bilhões, com quedas acentuadas nas exportações de milho, soja e açúcar.





