
Em 2023, a safra de arroz do Japão foi severamente afetada por ondas de calor e seca, reduzindo a produção e gerando uma escassez que culminou na renúncia de um ministro no ano seguinte. Surpreendentemente, a partir de 2025, produtores reagiram à alta dos preços expandindo a produção, o que provocou um excesso de oferta. Os estoques privados saltaram para 2,43 milhões de toneladas em 2026, número que deve aumentar em 2027. Como resultado, os preços recuaram para cerca de ¥3.300 (US$ 21) por cinco quilos, forçando o governo a recomprar 210 mil toneladas para evitar nova desvalorização.
“Todos os especialistas ficaram surpresos com essa oscilação”, disse Ryosuke Inoue, pesquisador visitante do programa Japão do CSIS, em Washington, à Fortune. Especialista em política agrícola japonesa, ele afirmou que nem mesmo os analistas previram uma mudança tão brusca.
Especialistas apontam a complexidade e falta de transparência do mercado japonês, dificultando o acompanhamento do fluxo entre agricultores e consumidores, o que atrasou respostas governamentais. Além disso, o envelhecimento dos produtores e a fragmentação das propriedades agravam a sustentabilidade do setor. O Japão, que produz quase todo seu arroz, vem ampliando importações dos EUA, um movimento acordado em 2025 que altera o cenário protegido tradicional.
A influência das mudanças climáticas permanece um desafio constante. Sécias recentes e temperaturas elevadas levaram agricultores a adotar variedades resistentes, que ainda ocupam menos de 20% das áreas plantadas. A volatilidade observada ilustra os impactos diretos das mudanças climáticas na produção, exigindo planejamento mais eficiente para evitar crises recorrentes.





