
Uma pesquisa apresentada no Global Agribusiness Festival (GAFFFF) em São Paulo, apontou que quase metade dos produtores rurais (49%) se sente pouco ou nada representada pelas campanhas publicitárias voltadas ao setor. Além disso, 65% desses produtores afirmam não serem admirados pela sociedade.
A estrategista de marca Raquel Messias explica que esse distanciamento vem da dissonância perceptiva: a forte crença em estereótipos faz o público julgar pelo visual, tradicionalmente ligado a elementos como chapéu, botas, música sertaneja e a figura do “herói que alimenta o Brasil”. Embora esses símbolos estejam arraigados, eles representam apenas uma camada superficial e dizem pouco sobre a diversidade real do agro.
A pesquisa mostrou que 43% dos produtores são “early adopters” de inovações, 89% se interessam por novidades e apenas 9% preferem métodos tradicionais. Messias alerta que “o agro é inovador em 2026, mas a percepção pública está anos atrás”, reforçando que a imagem retratada não acompanha a modernidade presente no campo.
Para mudar esse cenário, é crucial que marcas e comunicadores ultrapassem os clichês e valorizem a pluralidade do setor, retratando o orgulho do trabalho rural e oferecendo soluções práticas para desafios em crédito, tributação, mão de obra e conectividade. “A identidade do agro é importante, o problema é quando ela fica na superfície”, conclui a estrategista, destacando que conectar-se de verdade às histórias e valores do produtor é o caminho para uma comunicação mais eficaz e representativa.





