
O Sindicato da Indústria do Trigo do Estado de São Paulo (Sindustrigo), aponta que a recente e relevante alta nos preços do diesel já gerou impacto nos preços dos fretes de trigo e de farinha de trigo. Para a entidade, este fator, alinhado à alta de preços das commodities nas bolsas e mercados físicos nacionais e do exterior, decorrente das incertezas do momento, pressiona toda a cadeia do cereal. Além disso, o conflito EUA x Irã, além de inflacionar o preço dos combustíveis, também compromete a disponibilidade de fertilizantes, ameaçando a produção agrícola em geral.
Outro fator é a entrada em vigor da Lei Complementar (LC) nº 224/2025, agravando os custos de aquisição da matéria prima trigo para os moinhos nacionais. A partir de 1º de abril a LC 224 corta o crédito presumido de 3,23% para 2,91% e impõe 1,175% de PIS/COFINS em importados, sem o equivalente creditamento. Segundo estudos de especialistas tributários, a constitucionalidade pode ser questionada, porém não a tempo de impedir seu impacto, destaca o presidente do Sindustrigo, Max Piermartiri.
Completando um cenário de volatilidade, o trigo na Bolsa de Chicago já vinha refletindo informes de problemas climáticos (seca) nas lavouras americanas. No cenário global, há sinalização de queda de produção na safra mundial de 2026/2027. A safra argentina 2025/26, com recorde de 29,5 milhões de toneladas, tem qualidade inferior, preocupando moinhos brasileiros e até mesmo os argentinos.
Diante desse cenário, o Sindustrigo reforça a importância de um diálogo constante entre governo, indústria, produtores e consumidores para mitigar os impactos da alta de preços da farinha de trigo em São Paulo.





