
Analistas do setor apontam que o mercado do boi gordo opera em ritmo diferente, com frigoríficos relatando escalas de abate mais confortáveis e algumas unidades fora da compra de gado enquanto avaliam o timing ideal para novas aquisições. O termômetro principal segue sendo a cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas, cujo esgotamento deve pressionar os preços para baixo em maio e no terceiro trimestre. A China também elevou o rigor regulatório, suspendendo compras de um frigorífico brasileiro por traços de fármaco veterinário proibido no país asiático.
Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, projeta que a cota só se esgote em junho e alerta para outro risco no radar: a febre aftosa na China. Segundo o especialista, maio tradicionalmente concentra preços menores pela pressão do descarte de safra de capim, com produtores retirando boiadas dos pastos. Mesmo assim, ele não vê espaço para a arroba cair a R$ 300 em São Paulo.
O cenário global de carne bovina está apertado para compradores em 2026, com o Brasil mantendo a posição de maior produtor segundo o USDA. Na visão de Fabbri, se a China recuar, outros destinos devem absorver a carne brasileira, incluindo Argentina e Uruguai comprando mais para suprir suas demandas internas.
No dia 16 de abril, a arroba a prazo cotava R$ 370 em São Paulo, R$ 365 em Cuiabá e R$ 360 em Goiânia e Dourados. As exportações de abril acumulam US$ 591 milhões em sete dias úteis, com alta de 39% no valor diário ante 2025.





