
O mercado de pneus agrícolas virou palco de uma disputa que pode impactar diretamente o bolso do produtor rural. De um lado, fabricantes nacionais acusam importadores de práticas desleais. Do outro, importadores denunciam que regras antidumping criadas para o setor agrícola estão sendo aplicadas de forma indiscriminada, barrando até pneus de caminhão nos portos e elevando custos operacionais.
O Departamento de Defesa Comercial negou provisoriamente medidas antidumping contra pneus agrícolas indianos, contrariando pedido da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip). A investigação concluiu que a queda de 7% nas vendas domésticas no primeiro trimestre de 2026 decorreu da retração no mercado de máquinas agrícolas, não apenas das importações. Os números preocupam: a participação nacional no mercado de reposição caiu de 69% em 2019 para apenas 31% hoje. Para Rodrigo Navarro, presidente da Anip, a situação ameaça a soberania em um insumo estratégico.
Já os importadores, representados pela Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (Abidip), alegam que a norma baseada em medidas dimensionais permite interpretações equivocadas pela Receita Federal. Ricardo Alípio, presidente da entidade, relata casos de empresas com prejuízos acima de R$ 1 milhão por terem pneus de caminhão classificados incorretamente como agrícolas. A falta de transparência nos dados de antidumping dificulta contestações e pode encarecer insumos justamente quando o agro enfrenta momento difícil. A Anip também protocolou pedido para elevar tarifas de importação de 25% para 35%.
Já os importadores decidiram acionar judicialmente a União para tentar impedir que pneus de finalidades diferentes do setor agrícola continuem sendo barrados nos portos.





