
Intitulada “Modelo conceitual de instrumento econômico: desenho e análise de aplicação para a viabilidade de projetos urbanos em pequenas cidades”, a pesquisa de doutorado da urbanista Carlla Brito Furlan Pourre em Arquitetura e Urbanismo, pela Universidade de Brasília (UnB), propõe um modelo de planejamento urbano específico baseado no mapeamento econômico do município.
A partir desse diagnóstico, o poder público definiria, então, programas, iniciativas, ações, e políticas voltados ao desenvolvimento urbano articulados à dinâmica econômica local. O modelo foi aplicado a Baianópolis, município do oeste da Bahia com cerca de 14 mil habitantes, situado no Matopiba, acrônimo formado pelas iniciais dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e uma das regiões mais dinâmicas do agronegócio brasileiro.
“A tese propõe um modelo de desenvolvimento baseado em cadeias de negócios, no qual o planejamento urbano deixa de ser pensado apenas como desenho urbano e passa a ser articulado à dinâmica econômica local”, explica Carlla Pourre. Nesse sentido, continua a pesquisadora, “propõe-se a articulação entre infraestrutura, serviços e políticas públicas de modo a estimular a circulação de renda com a criação de atividades estratégicas, fortalecendo vocações regionais e garantindo a sustentabilidade financeira de projetos urbanos, sejam eles públicos ou privados”.
Segundo a urbanista, essa combinação precisa levar em conta as vocações econômicas locais, identificadas por meio de um diagnóstico que deve anteceder as decisões de planejamento urbano. A partir dessas potencialidades, é possível mapear cadeias de negócios alinhadas à realidade de cada município. Desse modo, os investimentos passam a gerar retornos mais efetivos, tanto no campo do desenvolvimento econômico (com geração de emprego e renda) quanto no desenvolvimento urbano, com a implantação de equipamentos públicos mais coerentes com as demandas e características locais. Por fim, a pesquisadora Carlla Pourre explica que o planejamento urbano e territorial orientado por cadeias de negócios tende a oferecer possibilidades de desenvolvimento mais eficientes do que as atuais para cidades fora dos grandes centros, por alinhar desenvolvimento urbano, vocação econômica e geração de valor local.Segundo ela, o modelo pode servir de referência para municípios que buscam atrair investimentos, reduzir desigualdades e construir estratégias mais sustentáveis de crescimento urbano. Na prática, isso significa criar condições para reter a população local com mais oportunidades de trabalho e renda, ampliar a oferta de serviços urbanos,





