
A previsão de um El Niño de grandes proporções entre novembro e janeiro coloca o produtor rural brasileiro em alerta máximo. O fenômeno é o aquecimento anormal das águas do Pacífico, que muda o padrão de chuvas pelo mundo. No Brasil, a consequência costuma ser mais chuva no Sul, seca no Centro-Oeste, no Norte e no Nordeste, e calor acima da média em boa parte do País.
A agência meteorológica americana NOAA estima 63% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte, o que pode torná-lo um dos episódios mais severos desde o início das medições. O mercado já começou a precificar os impactos econômicos.
O cenário climático esperado traz secas para Centro-Oeste, Norte e Nordeste, com chuvas concentradas no Sul. A janela crítica coincide justamente com o plantio da soja e o setup da safrinha de milho. Regiões como MATOPIBA e partes de Mato Grosso enfrentam maior risco de chuvas irregulares e estresse hídrico, podendo comprimir a janela de plantio e afetar a produtividade.
As projeções econômicas do Santander indicam que um evento forte pode adicionar até 2,4 pontos percentuais à inflação de alimentos. O Morgan Stanley vai além e estima impacto de até 1,68 ponto no IPCA geral. A pressão inflacionária pode interromper a queda dos juros ou até provocar alta, segundo analistas. O açúcar desponta como commodity vencedora do cenário, com preços já em alta. No mercado de ações, o setor elétrico aparece como oportunidade, enquanto SLC Agrícola e Banco do Brasil figuram entre os mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno.





