
Durante a Reunião Anual Fermentec 2026, um dos principais fóruns técnicos do setor bioenergético brasileiro, realizada em Ribeirão Preto (SP), Ricardo Blandy, diretor comercial da ComBio, discutiu como a combinação entre custos financeiros elevados e necessidade de desalavancagem tem levado parte do mercado a buscar modelos capazes de transformar ativos intensivos em capital em estruturas operacionais mais leves, preservando caixa para investimentos diretamente ligados ao negócio principal das usinas.
Segundo Blandy, o debate ganha força em um momento especialmente desafiador para o setor. Com o crédito mais caro e margens pressionadas pelos preços de açúcar e etanol, preservar liquidez tornou-se uma condição cada vez mais importante para manter a competitividade e sustentar novos investimentos.
O tema amplia o olhar sobre a geração de vapor e evidencia como decisões relacionadas à infraestrutura industrial passaram a influenciar diretamente a estratégia financeira das usinas. Em um cenário de crédito mais seletivo e custo de capital elevado, a gestão desses ativos tende a ocupar um espaço cada vez maior nas decisões de investimento do setor.
Outro ponto abordado foi o papel da eficiência energética nesse processo. Além dos impactos financeiros do capital imobilizado, o executivo ressalta que a operação dos sistemas térmicos influencia diretamente os custos industriais. “Ganhos de eficiência na geração de vapor podem reduzir o consumo de biomassa, aumentar a disponibilidade operacional e ampliar a geração de energia excedente, contribuindo para preservar margens em um ambiente econômico mais restritivo. Quando isso acontece, o complexo termoelétrico deixa de ser um gargalo operacional e passa a fazer parte da solução financeira da usina”, acrescenta.





