
No dia 11, o mercado do boi gordo fechou a semana com leve alta, com a arroba atingindo R$ 350. Segundo Fernando Iglesias, analista de Safras & Mercado, essa valorização foi impulsionada pelo ajuste das escalas de abate, principalmente em frigoríficos de maior porte. No entanto, o mercado futuro segue firme e apresenta forte descolamento em relação ao físico, com contratos de setembro a dezembro operando em patamares elevados.
As especulações sobre um retorno antecipado da demanda chinesa ajudaram a sustentar os preços, embora do ponto de vista logístico esse cenário pareça improvável devido aos custos extras envolvidos. Já as exportações brasileiras de carne bovina, contabilizadas em apenas quatro dias úteis de setembro, sofreram queda expressiva de 29,1% na quantidade média diária em comparação a setembro de 2025. O valor médio diário exportado recuou 22,5%, enquanto o preço médio por tonelada subiu 9,3%, fechando em US$ 6.137,60.
No atacado, os cortes traseiros tiveram valorização, vendidos a R$ 26,50 o quilo, alta de quase 2%, devido à entrada dos salários na economia e maior agilidade na reposição entre atacado e varejo. O quarto dianteiro, entretanto, recuou 5%, cotado a R$ 19,00 por quilo. A competição forte com carnes mais baratas, como frango e ovos, mantém o consumo bovino desafiado, ainda mais por setembro ser um mês com poucas datas comemorativas que impulsionem a demanda.
Para o produtor rural, o cenário indica oportunidades de ganhos com ajustes nos preços do boi gordo, mas exige cautela diante da retração nas exportações e da força concorrencial no mercado interno, elementos que devem nortear decisões estratégicas para os próximos meses.





